Me liga – larp dorama dos tempos em que a ficha caía
com Carolina Scartezini
Era uma vez um mundo anterior à existência de aparelhos celulares, redes sociais e aplicativos de mensagem. Nesse cenário, as pessoas se interessavam por gente que conheciam ao vivo e em cores, por outros motivos, às vezes até por acidente. Ilustres desconhecidas chamavam à atenção umas das outras nos lugares mais inesperados. Colegas de escola, trabalho, academia, vizinhas, parentes distantes, amigas de amigas acabavam aparecendo num dia ou noite qualquer e falando ou fazendo algo surpreendentemente atraente. E então, como se aproximar?
Numa cidade grande, um bom jeito de tentar lidar com essa situação era conseguir – de alguma maneira – um número de telefone fixo da pessoa interessante. Sob uma desculpa qualquer, uma conversa bacana poderia se tornar uma ótima chance para se conhecerem um pouco melhor e, quem sabe, marcarem um encontro. Pessoas corajosas talvez conseguissem simplesmente pedir o telefone de quem lhes tivesse interessado. Pessoas prudentes poderiam tentar conseguir isso de algum conhecido em comum – já com mais algumas informações. Pessoas muito tímidas tinham a opção de tentar a sorte procurando o contato numa lista telefônica, se soubessem o sobrenome ou o endereço da outra pessoa. Já as mais ousadas, entregavam o seu próprio número a quem quisessem ver outra vez.
Mas, cuidado! Naquela época, o termo stalker ainda não era usado no Brasil, porém, havia armadilhas bastante perigosas nas quais se poderia cair – e ter sua intimidade invadida durante um telefonema. Primeiro: as paredes tinham ouvidos. Isso talvez não fizesse muita diferença, se você não estivesse escondendo nada de vizinhos ou parentes. Mas se estivesse... Um risco maior ainda era falar ao telefone se houvesse mais um aparelho em algum outro lugar da sua residência. Nesse caso, alguém poderia ouvir a conversa inteira, inclusive o que estivesse sendo dito pela outra pessoa durante a ligação.
Em caso de haver necessidade de uma privacidade impossível de se ter dentro de sua própria casa, uma opção era tentar usar um telefone público, também conhecido como orelhão. Um pequeno alívio, por um lado... Por outro, era muito comum que esses aparelhos não estivessem funcionando direito, ou que tivessem filas. Fora que, numa conversa mais longa, talvez não houvesse fichas suficientes...
Fichas caíam – literal e metaforicamente. Ligações, feliz ou infelizmente, caíam também. Histórias e linhas poderiam acabar cruzadas. Vozes desconhecidas eram ouvidas pela primeira vez. Vozes já conhecidas nem sempre soavam da mesma maneira quando escutadas numa chamada. Telefones tocavam. Pessoas também se tocavam – umas mais rápido, outras, vagarosamente.
O jogo termina quando alguém desligar o telefone. Já o novo romance... talvez esteja apenas começando!
4-8 participantes
Duração aproximada: 2h30
Não recomendado para menores de 18 anos
Requisitos Técnicos: A sessão de playtest será realizada pelo Zoom. É necessário que todas as pessoas participantes tenham acesso a um dispositivo (smartfone/celular/tablet/notebook/computador) com o Zoom instalado e atualizado (o uso é gratuito), câmera e microfone funcionando. É recomendado que usem fones de ouvido, porém é possível participar sem eles.
Roteiro do larp 'Me liga – larp dorama dos tempos em que a ficha caía' (leitura prévia opcional)
15/12, domingo >>> 16Hs
SESSÂO EXTRA ::: 17/12, terça >>> 19Hs
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